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Reestruturação cognitiva: o que realmente acontece nesse exercício

Regulação emocional2 min de leitura

Reestruturação cognitiva é provavelmente o termo mais conhecido da Terapia Cognitivo-Comportamental, e também um dos mais mal compreendidos. A versão popular é mais ou menos assim: pense positivo, troque o pensamento ruim por um bom, repita afirmações.

Não é isso. E a diferença não é de detalhe.

Trocar não é o mesmo que verificar

Substituir “vai dar errado” por “vai dar tudo certo” não muda quase nada, porque o segundo pensamento não é mais verdadeiro que o primeiro – é apenas mais agradável. A mente reconhece isso rapidamente, e o pensamento original volta, muitas vezes com mais força.

O exercício real é outro: examinar se o pensamento se sustenta diante das evidências disponíveis. A pergunta não é “como eu penso algo melhor?”, e sim “o que exatamente eu estou afirmando, e isso é verdade?”

O que o exercício envolve na prática

Um registro de pensamentos costuma percorrer o seguinte caminho:

  1. Situação. O que aconteceu, de forma factual e observável.
  2. Pensamento automático. A frase exata que passou pela cabeça, não um resumo dela.
  3. Emoção e intensidade. O que se sentiu e com que força.
  4. Evidências a favor. O que sustenta esse pensamento.
  5. Evidências contra. O que ele não explica, ignora ou contradiz.
  6. Formulação alternativa. Uma leitura que dê conta de tudo o que foi listado.

A etapa 6 raramente produz algo animador. Ela costuma produzir algo mais exato e mais suportável – que é o objetivo.

Um pensamento alternativo só funciona quando a própria pessoa acredita nele. Por isso ele precisa ser construído, não recebido pronto.

Por que escrever muda o exercício

Feito de cabeça, o processo quase sempre encurta. A mente pula direto da situação para a conclusão, e o passo intermediário – a frase exata que apareceu – se perde.

Escrever obriga a desacelerar. Também cria um registro ao qual é possível voltar depois, e é aí que os padrões aparecem: os mesmos temas, as mesmas distorções, os mesmos gatilhos, repetidos ao longo de semanas.

O que esperar

Reestruturação cognitiva não elimina pensamentos difíceis, e nenhum processo terapêutico sério promete isso. O que ela desenvolve, com prática, é a capacidade de reconhecer um pensamento como um pensamento – algo que a mente produziu e que pode ou não corresponder aos fatos – em vez de tratá-lo automaticamente como descrição da realidade.

É uma habilidade. Como toda habilidade, responde a treino e a repetição.

Quer conversar sobre isso com apoio profissional?

Este texto é material educativo. Um processo terapêutico olha para a sua história em particular.

Sheila de Souza Campanholo · CRP 08/30001